Todo mundo sabe que não é fácil torcer para o Palmeiras. A menos que você seja completamente abstraído de vitórias e títulos, acompanhar as "façanhas" do Verdão não é para qualquer um. Mesmo assim, esses milhões de corneteiros apaixonados não desistem e continuam acreditando em um futuro melhor da "representação alviverde de Parque Antárctica", como diria Luciano do Valle.
O problema é quando você é um deles e nem no seu aniversário o time dá um jeito. Outro dia conversava sobre isso com amigos e resolvi fazer um pequeno levantamento do que aconteceu com o Verdão em cada "5 de maio" ocorrido desde 1991, ano em que nasci. A situação é bem complicada. Exceto em duas oportunidades nas quais tivemos grandes motivos para comemorar, todas as outras 19 foram marcadas por momentos ruins do Palmeiras, e nisso se inclui a recente eliminação na Copa do Brasil de 2011, para o Coritiba, que teve nessa data seu jogo de ida, aquele... 6 a 0.
Por isso, com a ajuda do acervo do jornal Folha de S.Paulo, relembro agora alguns "presentes" de aniversário que o Palmeiras me deu. Isso porque eu nem vi a primeira fila, entre 1976 e 1993, que os mais velhos podem me dizer se foi ou não mais lamentável do que a fase atual do time. O fato é que este ano não tem jogo do Verdão no dia 5 de maio. Logo, não tem derrota!
1991: "Palmeiras joga na defesa contra o Bragantino". O jogo foi no Parque Antárctica, no dia em que eu estava nascendo. O Verdão perdeu em casa por 2 a 0 e praticamente deu adeus ao Campeonato Brasileiro, que naquela época era jogado no primeiro semestre. O Bragantino, conste, era o time forte que chegou à decisão, mas perdeu para o São Paulo de Telê Santana, que iniciava naquele ano o caminho que o levou a dois títulos da Libertadores e outros dois do Mundial.
1992: "Nelsinho aposta em classificação". Com quatro vitórias consecutivas no Brasileirão, o técnico do Palmeiras estava confiante de que o Verdão chegaria entre os oito primeiros colocados da fase inicial. No jogo seguinte, perdeu para o Náutico. Não chegou.
1993: Nem mesmo o ano de redenção do Palmeiras, que faturou o Brasileirão, o Paulista e o Torneio Rio-São Paulo, teve algo bom do Verdão nas páginas dos jornais em 5 de maio. A manchete era "Edmundo é suspenso por 120 dias". Foi por causa de uma agressão a um árbitro na Copa do Brasil.
1994: "Vasco tenta trocar Valdir por Edmundo". Ainda bem que eu era muito pequeno e não acompanhava futebol... No mesmo dia, Casagrande dizia que o Corinthians preferia ver o São Paulo ganhar o Paulista do que o Palmeiras. Essa, pelo menos, foi legal (risos).
1995: "Crise no Palmeiras pune Edmundo". Opa, pegamos o primeiro "crise no Palmeiras" da lista. O atacante foi afastado após dizer que a diretoria não pagava salários em dia. Os jogadores se revoltaram contra a postura dos dirigentes e deram apoio ao Animal.
1996: Empate com o Corinthians por 2 a 2 no Paulistão. Só atrapalhou um pouco o caminho até o título paulista daquele ano, marcado pelo time dos 100 gols. Foi mais ameno.
1997: A partir deste ano, ainda pequeno, comecei a acompanhar futebol. E a notícia do meu aniversário era o Márcio Araújo, então treinador do Palmeiras no lugar de Telê Santana, que nem chegou a assumir por conta de problemas de saúde que o tiraram do futebol para sempre, desmerecendo o São Paulo após o Tricolor ganhar do Verdão, no dia anterior, por 4 a 2.
1998: O Palmeiras não teve uma só menção na Folha de S.Paulo de 5 de maio daquele ano, marcado pela convocação de Zagallo para a Copa do Mundo da França (que perdemos).
1999: Até que enfim, algo bom. O Palmeiras se preparava para enfrentar o Corinthians pela primeira partida das quartas de final da Libertadores. O Verdão venceu por 2 a 0, resultado que o Timão devolveu no jogo da volta, uma semana depois. Mas o time do Palestra Itália tinha São Marcos...
2000: "Palmeiras é derrotado e se complica na Libertadores". Foi nas oitavas de final, contra o Peñarol, por 2 a 0. Mas o Verdão reverteu e chegou à decisão naquele ano contra o Boca. Foi vice.
2001: A única notícia do time naquele dia era a liberação do Palestra Itália para os jogos da Libertadores até as semifinais. Justamente até onde o time chegou na competição, eliminado pelo Boca.
2002: O Palmeiras sumiu do noticiário nesse dia porque a final do Rio-São Paulo era entre Corinthians e São Paulo. Dia daqueles para o palmeirense ficar quietinho em casa, mesmo. E nem sabíamos o que nos esperava no fim daquele fatídico ano.
2003: Rebaixado para a Série B, no dia 5 de maio a notícia era o técnico Jair Picerni tentar reconstruir o time após o empate em casa com o América de Natal, por 1 a 1. Foi um mau começo do time na segunda divisão, que depois foi conquistada pelo Palmeiras.
2004: Empate em casa e classificação sofrida sobre o Goiás na Copa do Brasil, nos pênaltis. Na fase seguinte, eliminação para o Santo André em pleno Palestra Itália.
2005: O Palmeiras comemorava uma vitória contra o Deportivo Táchira, que praticamente garantiu a classificação para as oitavas de final da Libertadores, fase em que foi eliminado pelo arquirrival São Paulo. Ganhar do Táchira, como vemos, não adianta muita coisa (risos).
2006: Foi a sexta-feira seguinte à segunda eliminação seguida para o São Paulo na Libertadores. O torcedor palmeirense, ao menos, pôde se divertir com a derrota do Corinthians para o River Plate, no Pacaembu, em 4 de maio. Morreram abraçados.
2007: Fora da final do Paulistão, que seria disputada no dia seguinte entre Santos e São Caetano, o Palmeiras tinha como principal notícia a ausência de Marcos na estreia do Brasileiro. É...
2008: É CAMPEÃO! No dia anterior, o Palmeiras bateu a Ponte Preta por 5 a 0 e conquistou um título após 8 anos de jejum. Também não ganhou mais nada desde então.
2009: Vitória sobre o Sport Recife no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores, uma rivalidade que pegou fogo naquele ano. Na volta, derrota pelo mesmo placar de 1 a 0 e classificação nos pênaltis, mais uma vez, com a benção de São Marcos.
2010: São Marcos sozinho não faz milagre. Aliás, até faz. Pegou três pênaltis na decisão da vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil, contra o Atlético-GO, mas viu os companheiros de ataque desperdiçarem quatro cobranças. Assim não dá. (O Corinthians foi eliminado da Libertadores naquele dia, contra o Flamengo, no Pacaembu).
2011: O auge dos presentes de aniversário. Na escala dos vexames de 5 de maio, este foi o maior. Derrota por 6 a 0 contra o Coritiba, pelas quartas de final da Copa do Brasil.

