sexta-feira, 4 de maio de 2012

Meus "presentes" de aniversário do Palmeiras

Todo mundo sabe que não é fácil torcer para o Palmeiras. A menos que você seja completamente abstraído de vitórias e títulos, acompanhar as "façanhas" do Verdão não é para qualquer um. Mesmo assim, esses milhões de corneteiros apaixonados não desistem e continuam acreditando em um futuro melhor da "representação alviverde de Parque Antárctica", como diria Luciano do Valle.

O problema é quando você é um deles e nem no seu aniversário o time dá um jeito. Outro dia conversava sobre isso com amigos e resolvi fazer um pequeno levantamento do que aconteceu com o Verdão em cada "5 de maio" ocorrido desde 1991, ano em que nasci. A situação é bem complicada. Exceto em duas oportunidades nas quais tivemos grandes motivos para comemorar, todas as outras 19 foram marcadas por momentos ruins do Palmeiras, e nisso se inclui a recente eliminação na Copa do Brasil de 2011, para o Coritiba, que teve nessa data seu jogo de ida, aquele... 6 a 0.

Por isso, com a ajuda do acervo do jornal Folha de S.Paulo, relembro agora alguns "presentes" de aniversário que o Palmeiras me deu. Isso porque eu nem vi a primeira fila, entre 1976 e 1993, que os mais velhos podem me dizer se foi ou não mais lamentável do que a fase atual do time. O fato é que este ano não tem jogo do Verdão no dia 5 de maio. Logo, não tem derrota!

1991: "Palmeiras joga na defesa contra o Bragantino". O jogo foi no Parque Antárctica, no dia em que eu estava nascendo. O Verdão perdeu em casa por 2 a 0 e praticamente deu adeus ao Campeonato Brasileiro, que naquela época era jogado no primeiro semestre. O Bragantino, conste, era o time forte que chegou à decisão, mas perdeu para o São Paulo de Telê Santana, que iniciava naquele ano o caminho que o levou a dois títulos da Libertadores e outros dois do Mundial.

1992: "Nelsinho aposta em classificação". Com quatro vitórias consecutivas no Brasileirão, o técnico do Palmeiras estava confiante de que o Verdão chegaria entre os oito primeiros colocados da fase inicial. No jogo seguinte, perdeu para o Náutico. Não chegou.

1993: Nem mesmo o ano de redenção do Palmeiras, que faturou o Brasileirão, o Paulista e o Torneio Rio-São Paulo, teve algo bom do Verdão nas páginas dos jornais em 5 de maio. A manchete era "Edmundo é suspenso por 120 dias". Foi por causa de uma agressão a um árbitro na Copa do Brasil. 

1994: "Vasco tenta trocar Valdir por Edmundo". Ainda bem que eu era muito pequeno e não acompanhava futebol... No mesmo dia, Casagrande dizia que o Corinthians preferia ver o São Paulo ganhar o Paulista do que o Palmeiras. Essa, pelo menos, foi legal (risos).

1995: "Crise no Palmeiras pune Edmundo". Opa, pegamos o primeiro "crise no Palmeiras" da lista. O atacante foi afastado após dizer que a diretoria não pagava salários em dia. Os jogadores se revoltaram contra a postura dos dirigentes e deram apoio ao Animal. 

1996: Empate com o Corinthians por 2 a 2 no Paulistão. Só atrapalhou um pouco o caminho até o título paulista daquele ano, marcado pelo time dos 100 gols. Foi mais ameno.

1997: A partir deste ano, ainda pequeno, comecei a acompanhar futebol. E a notícia do meu aniversário era o Márcio Araújo, então treinador do Palmeiras no lugar de Telê Santana, que nem chegou a assumir por conta de problemas de saúde que o tiraram do futebol para sempre, desmerecendo o São Paulo após o Tricolor ganhar do Verdão, no dia anterior, por 4 a 2. 

1998: O Palmeiras não teve uma só menção na Folha de S.Paulo de 5 de maio daquele ano, marcado pela convocação de Zagallo para a Copa do Mundo da França (que perdemos).

1999: Até que enfim, algo bom. O Palmeiras se preparava para enfrentar o Corinthians pela primeira partida das quartas de final da Libertadores. O Verdão venceu por 2 a 0, resultado que o Timão devolveu no jogo da volta, uma semana depois. Mas o time do Palestra Itália tinha São Marcos...

2000: "Palmeiras é derrotado e se complica na Libertadores". Foi nas oitavas de final, contra o Peñarol, por 2 a 0. Mas o Verdão reverteu e chegou à decisão naquele ano contra o Boca. Foi vice.

2001: A única notícia do time naquele dia era a liberação do Palestra Itália para os jogos da Libertadores até as semifinais. Justamente até onde o time chegou na competição, eliminado pelo Boca.

2002: O Palmeiras sumiu do noticiário nesse dia porque a final do Rio-São Paulo era entre Corinthians e São Paulo. Dia daqueles para o palmeirense ficar quietinho em casa, mesmo. E nem sabíamos o que nos esperava no fim daquele fatídico ano.

2003: Rebaixado para a Série B, no dia 5 de maio a notícia era o técnico Jair Picerni tentar reconstruir o time após o empate em casa com o América de Natal, por 1 a 1. Foi um mau começo do time na segunda divisão, que depois foi conquistada pelo Palmeiras.

2004: Empate em casa e classificação sofrida sobre o Goiás na Copa do Brasil, nos pênaltis. Na fase seguinte, eliminação para o Santo André em pleno Palestra Itália.

2005: O Palmeiras comemorava uma vitória contra o Deportivo Táchira, que praticamente garantiu a classificação para as oitavas de final da Libertadores, fase em que foi eliminado pelo arquirrival São Paulo. Ganhar do Táchira, como vemos, não adianta muita coisa (risos).

2006: Foi a sexta-feira seguinte à segunda eliminação seguida para o São Paulo na Libertadores. O torcedor palmeirense, ao menos, pôde se divertir com a derrota do Corinthians para o River Plate, no Pacaembu, em 4 de maio. Morreram abraçados.

2007: Fora da final do Paulistão, que seria disputada no dia seguinte entre Santos e São Caetano, o Palmeiras tinha como principal notícia a ausência de Marcos na estreia do Brasileiro. É...

2008: É CAMPEÃO! No dia anterior, o Palmeiras bateu a Ponte Preta por 5 a 0 e conquistou um título após 8 anos de jejum. Também não ganhou mais nada desde então.

2009: Vitória sobre o Sport Recife no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores, uma rivalidade que pegou fogo naquele ano. Na volta, derrota pelo mesmo placar de 1 a 0 e classificação nos pênaltis, mais uma vez, com a benção de São Marcos.

2010: São Marcos sozinho não faz milagre. Aliás, até faz. Pegou três pênaltis na decisão da vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil, contra o Atlético-GO, mas viu os companheiros de ataque desperdiçarem quatro cobranças. Assim não dá. (O Corinthians foi eliminado da Libertadores naquele dia, contra o Flamengo, no Pacaembu).

2011: O auge dos presentes de aniversário. Na escala dos vexames de 5 de maio, este foi o maior. Derrota por 6 a 0 contra o Coritiba, pelas quartas de final da Copa do Brasil. 

domingo, 15 de abril de 2012

"Desconhecido", Fernando Haddad tem desempenho igual ao de Pitta em 1996 nas primeiras pesquisas

Ex-prefeito também tinha 3% das intenções de voto no início daquele ano

O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, ainda não convenceu sobre as reais chances de vencer as eleições 2012. O ex-ministro da Educação tem desempenho tímido nas pesquisas, apesar do apoio de Lula, e registrou apenas 3% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, divulgada em março, no cenário em que disputaria com José Serra (PSDB), Celso Russomanno (PRB), Paulinho da Força (PDT), Soninha Francine (PPS), Gabriel Chalita (PMDB), e Netinho de Paula (PCdoB).

Reprodução da Folha mostra pesquisa de abril de 1996.
No entanto, os seis meses que restam até a disputa nas urnas pela sucessão de Gilberto Kassab (PSD) podem ser tempo suficiente para uma arrancada do petista. O ex-prefeito Celso Pitta, morto em 2009, foi eleito em 1996 após derrotar Luiza Erundina no segundo turno, com apoio ostensivo do antecessor Paulo Maluf. Mas as pesquisas, em abril daquele ano, não eram nada animadoras para a campanha do então candidato do PPB (hoje PP).

O Datafolha apontou, no dia 28 de abril de 1996, a liderança de Erundina em cinco cenários, com intenções de voto na casa dos 32%, número semelhante ao alcançado pelo tucano José Serra este ano. Como coincidência, Erundina havia sido eleita prefeita oito anos antes daquela eleição (venceu em 1988), assim como Serra chega ao pleito este ano (venceu em 2004). 

Celso Pitta (PPB), no melhor cenário, aparecia com os mesmos 3% que o petista apresenta este ano. Assim como Haddad, Pitta tinha um padrinho eleitoral forte. Maluf tinha grande aprovação da população paulistana como prefeito. O ex-ministro da Educação conta com a força de Lula, presidente que concluiu seu mandato com mais de 80% de ótimo/bom no Datafolha.

Haddad, em 2012, chega a marcar até 8% quando Russomanno está fora da disputa. Este cenário, no entanto, não deve representar as eleições deste ano em São Paulo, já que o PRB já reafirmou a candidatura própria e busca alianças para se fortalecer como terceira via eleitoral.

A decisão de manter a candidatura de Russomanno, inclusive, teria sido aprovada pela presidente Dilma Rousseff (PT). O PRB faz parte da base do Governo no Congresso e tem o senador licenciado Marcelo Crivella como ministro da Pesca. 

Rejeição de Pitta era mais alta que a de Haddad

Embora também fosse desconhecido de grande parte do eleitorado, Celso Pitta tinha rejeição maior do que a apresentada por Fernando Haddad nas pesquisas do Datafolha. O então candidato do PPB amargava 26%, enquanto o petista hoje é rejeitado por 15% dos eleitores paulistanos. 

O bom sinal para a candidatura de José Serra (PSDB) é que a rejeição dele é menor que a de Erundina, que tinha 39% em 1996. Serra tem 30%, número parecido com o de Pitta. Conta também a favor do tucano que a rejeição dele naquela mesma eleição, na qual também foi candidato, era de 22%. Ou seja, depois de estar na mídia como ministro da Saúde, prefeito de São Paulo e governador do Estado, além de duas campanhas presidenciais, a rejeição a Serra cresceu apenas oito pontos percentuais em 16 anos.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Santos 100 anos: Um orgulho que nem todos podem ter

"Nascer, viver, e no Santos morrer é um orgulho que nem todos podem ter"

O hino oficial do Santos diz muito sobre a história gloriosa do clube da Vila Belmiro, que completa 100 anos de existência neste 14 de abril de 2012. Mesmo dia em que o mundo lembra o centenário da tragédia com o navio Titanic. O dia em que um gigante afundava, enquanto outro emergia. 

Não sou santista, mas o Peixe é um clube que todas as pessoas devem respeitar. Alguém ousa manchar alguma das muitas conquistas do Santos neste um século da vida? Como palmeirense, tive e tenho que ouvir várias vezes o famoso "só ganharam por causa da Parmalat", em referência às conquistas do Verdão entre 1993 e 2000. Isso só ficou pior por conta da seca de títulos que o time do Palestra Itália vive desde o fim da parceria com a multinacional italiana.

Amigos corintianos são obrigados a conviver com as famosas acusações de "apito amigo" em títulos como o Brasileirão de 2005, quando uma arbitragem polêmica de Márcio Resende de Freitas revoltou o Internacional de Porto Alegre, vice-campeão daquele ano, em um empate no Pacaembu contra o Timão.

Os são-paulinos, que têm o Morumbi como um de seus maiores orgulhos, precisam rebater as línguas que insistem em apontar o suposto uso de dinheiro público na compra do terreno e construção do estádio. Assim é o futebol, nós nunca conseguiremos apontar quem está ou não com a razão. Não vou entrar nos méritos de nenhuma dessas provocações que eu citei. Que o mundo do futebol continue debatendo, pois essa é a graça do esporte.

Mas o fato é que pouca gente tem argumentos para falar do Santos. O mais comum, até pouco tempo, era o tradicional "time de velhos, só ganhava com Pelé". "Só ganhava com Pelé", quem me dera ter um desses no meu time. Quanta gente nesse mundo, apaixonada por futebol, não gostaria de ter contado com Pelé em suas seleções. Pior, para quem bradava essa provocação, é ter que conviver com uma geração como a de Neymar, Ganso e cia, que ganha quase tudo e só deu o azar de existir na mesma época que o Barcelona de Messi.

Três Libertadores, dois Mundiais de Clubes, oito Brasileiros, uma Copa do Brasil, 19 Paulistas. Em um País que conta com 12 clubes imensos, isso é muita coisa. E o Santos detém esse cartel de conquistas que qualquer torcedor deste Brasil sonharia. Mas esse é o tal do orgulho que nem todos podem ter.

domingo, 25 de março de 2012

Projetos pessoais atropelam os partidos na política

A recente declaração do pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Rick Santorum, de que seria melhor continuar com o democrata Barack Obama a ter na Casa Branca o rival dele nas prévias, Mitt Romney, causou polêmica na política americana. Santorum foi criticado por várias lideranças de seu partido e também pelos outros adversários na corrida eleitoral.

No entanto, esse episódio é apenas mais um dos muitos que evidenciam, a cada dia, o fato de que os políticos estão dispostos a atropelar os próprios partidos em nome de um projeto pessoal. E isso vale tanto para os Estados Unidos, como para o Brasil.

Serra foi acusado por um tucano de "esmagar" o PSDB - Divulgação
No último dia 2 de março, o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem dizendo que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, já teria adiantado ao PT que o tucano José Serra estaria disposto a apoiar a presidente Dilma Rousseff em 2014 se ele não for escolhido como o candidato do PSDB às eleições.

Considerando que Kassab é o mesmo que fundou um partido, o PSD, em nome de um projeto pessoal (ser governador de São Paulo, o que seria impossível dentro de um DEM que se acostumou a coligar com o PSDB, de Geraldo Alckmin), fez menção a um apoio ao petista Fernando Haddad, e acabou fechando com o velho conhecido Serra, é possível duvidar da fala do prefeito da maior cidade do País.

Mas é importante destacar que Serra já entrou em atrito dentro de seu próprio partido várias vezes em nome da candidatura presidencial, como já lembrou o blogueiro do UOL, Josias de Souza. Em 2002, o adversário era Tasso Jereissati. Quatro anos depois, Geraldo Alckmin. Na última eleição, em 2010, foi o mineiro Aécio Neves. Nos três casos, o resultado foi o mesmo para o PSDB: a derrota e a melancolia de ver um petista subir a rampa do Planalto.

Agora, em 2012, Serra surgiu de última hora na corrida pela prefeitura de São Paulo, cargo que ele abandonou para concorrer ao governo paulista, em 2006, após se comprometer em entrevista à Folha, em 2004, que iria cumprir os quatro anos de mandato, se fosse eleito.

- Só se Deus me tirar a vida. Só saio se houver uma desgraça que me envolva.

Desta vez, o ex-prefeito repete a promessa e diz que desistiu do sonho de disputar a presidência em 2014, como mostrou a repórter do R7, Amanda Polato, no fim do mês passado (clique aqui para ler a reportagem).

- Eu vou cumprir os quatro anos, é mais do que promessa.

Se vai cumprir ou não, ou se vai ser eleito ou não, o fato é que Serra configurou, ao entrar na disputa pelo comando da Capital paulista, mais um desses casos de projetos pessoais que atropelam os partidos. 

O PSDB já tinha um processo de prévias instalado, com pré-candidatos definidos, e tudo se transformou com a entrada do ex-prefeito na corrida. Bruno Covas e Andrea Matarazzo desistiram. Sobraram apenas Ricardo Trípoli e José Aníbal, em disputa que será definida neste domingo (25).

E se o amigo leitor não concordar que a situação não vale o emprego do termo "atropelamento", deve lembrar que um presidente de diretório muncipal do PSDB em São Paulo disse, há poucos dias, uma célebre frase na frente de Serra, que ganhou destaque em vários jornais e foi sucesso no YouTube.

- O senhor esmaga o partido.

É claro que existem partidos na política brasileira que são feitos em torno da figura de uma pessoa. Assim com Lula no PT, Brizola no PDT, Maluf nos tempos de PP. Mas esse não é o caso do PSDB, que fez barulho quando foi fundado, em 1989, por ter diversas personalidades e intelectuais, bombado pelas presenças de Mário Covas, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso e o próprio José Serra, que agora é acusado de "esmagar" sua própria sigla.

Legendas e o trampolim

Outro problema vivido pela política partidária brasileira é o uso das legendas pelos candidatos por prazo temporário, com objetivos a curto prazo. O empresário Paulo Skaf, presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), se filiou ao PSB (Partido Socialista Brasileiro) para concorrer ao governo estadual em 2010. Agora, depois de toda a polêmica causada por um tradicional capitalista pertencer a um partido socialista, Skaf está no PMDB. 

O mesmo caminho foi seguido por Chalita, que passou ao PMDB para concorrer à prefeitura paulistana este ano. Em São Caetano do Sul, no ABC, o partido teve a recente filiação do vereador Paulo Pinheiro, que durante anos pertenceu ao governista PTB e só deixou o antigo partido porque não haveria espaço nele para concorrer à sucessão do prefeito José Auricchio Junior, que indicou Regina Maura Zetone como a candidata oficial.