Todo ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos começa com a mesma história: o complexo sistema usado na escolha do comandante da maior potência ocidental do mundo, alvo de muitas críticas e alguns elogios, mas que sobrevive desde 1789.
Diferentemente do Brasil, onde se elege presidente o candidato que conseguir mais votos populares, os Estados Unidos contam com um colégio eleitoral que vai escolher o próximo líder do país. As votações que contam são as estaduais.
Cada Estado conta com um número de delegados que respeita a mesma proporcionalidade populacional que define o número de vagas na Câmara dos Representantes (versão americana da Câmara dos Deputados) e no Senado.
O candidato que tiver mais votos populares dentro de um Estado fica com todos os delegados no Colégio Eleitoral (exceto nos Estados do Maine e Nebraska, que distribuem seus votos de forma proporcional baseado na votação popular).
Embora seja complicado de entender e permita a um candidato com menos votos populares ser eleito presidente, como foi o caso de George W. Bush em 2000, o sistema eleitoral norte-americano é um dos mais democráticos do mundo. Primeiro porque o processo de escolha dos candidatos de cada partido passa pelas mãos do povo, nas eleições primárias. Você certamente não escolheu Serra como o candidato do PSDB contra Aécio Neves em 2010, nem Dilma como candidata do PT. Ambos foram impostos pelas direções partidárias.
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| Mapa Eleitoral teria mais importância na eleição 2010, mas elegeria Dilma da mesma forma |
Os resultados das últimas eleições, entre Dilma Rousseff e José Serra, apontaram vitória da candidata petista com 56% dos votos válidos. No mapa eleitoral, Dilma venceu em 15 Estados, além do Distrito Federal, e Serra foi o mais votado nos outros 11. Veja a seguir como ficaria a votação no Colégio Eleitoral em 2010:
Serra:
- Acre 8
- Espírito Santo 10
- Goiás 17
- Mato Grosso 8
- Mato Grosso do Sul 8
- Paraná 30
- Rio Grande do Sul 31
- Rondônia 8
- Roraima 8
- Santa Catarina 16
- São Paulo 70
Dilma
- Alagoas 9
- Amapá 8
- Amazonas 8
- Bahia 39
- Ceará 22
- Distrito Federal 8
- Maranhão 18
- Minas Gerais 53
- Pará 17
- Paraíba 12
- Pernambuco 25
- Piauí 10
- Rio de Janeiro 46
- Rio Grande do Norte 8
- Sergipe 8
- Tocantins 8
Serra:
- Acre 8
- Espírito Santo 10
- Goiás 17
- Mato Grosso 8
- Mato Grosso do Sul 8
- Paraná 30
- Rio Grande do Sul 31
- Rondônia 8
- Roraima 8
- Santa Catarina 16
- São Paulo 70
Dilma
- Alagoas 9
- Amapá 8
- Amazonas 8
- Bahia 39
- Ceará 22
- Distrito Federal 8
- Maranhão 18
- Minas Gerais 53
- Pará 17
- Paraíba 12
- Pernambuco 25
- Piauí 10
- Rio de Janeiro 46
- Rio Grande do Norte 8
- Sergipe 8
- Tocantins 8
Dilma seria eleita presidente da República com 299 votos no Colégio Eleitoral, contra 214 do tucano José Serra. Ou seja, mesmo com um sistema mais complicado e sem o voto popular direto, a mesma candidata teria vencido.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também teria passado com folga pelo colégio eleitoral nas duas votações que venceu, em 2002 e 2006. No primeiro caso, a única mudança que o sistema norte-americano causaria seria uma derrota ainda mais estrondosa que aquela imposta pelo voto popular.
Serra foi o vencedor apenas em Alagoas, o que lhe garantia nove votos no Colégio Eleitoral. Lula, portanto, seria eleito presidente com 504 delegados, 98% do total. Algo parecido com a eleição americana de 1984, quando Ronald Reagan venceu o democrata Walter Mondale em 49 dos 50 Estados do país.
Em 2006, Lula venceu Geraldo Alckmin em 20 Estados e, por eles, teria 342 votos dos delegados, contra 171 do candidato tucano.
Lula: - AL 9; AP 8; AM 8; BA 39; CE 22; DF 8; MA 18; MG 53; PA 17; PB 12; PE 25; PI 10; RJ 46; RN 8; SE 8; TO 8; ES 10; GO 17; RO 8; AC 8; TOTAL: 342
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| Desde 1989, a vitória de Lula sobre Serra em 2002 teria sido a maior "surra" eleitoral |
Serra foi o vencedor apenas em Alagoas, o que lhe garantia nove votos no Colégio Eleitoral. Lula, portanto, seria eleito presidente com 504 delegados, 98% do total. Algo parecido com a eleição americana de 1984, quando Ronald Reagan venceu o democrata Walter Mondale em 49 dos 50 Estados do país.
Em 2006, Lula venceu Geraldo Alckmin em 20 Estados e, por eles, teria 342 votos dos delegados, contra 171 do candidato tucano.
Lula: - AL 9; AP 8; AM 8; BA 39; CE 22; DF 8; MA 18; MG 53; PA 17; PB 12; PE 25; PI 10; RJ 46; RN 8; SE 8; TO 8; ES 10; GO 17; RO 8; AC 8; TOTAL: 342
Alckmin: SP 70; PR 30; RS 31; SC 16; MT 8; MS 8; RR 8; TOTAL: 171
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| Sistema norte-americano dá preferência à representatividade dos Estados |
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também teria ficado marcado por vitórias esmagadoras no Colégio Eleitoral. O fato de FHC ter vencido todas as eleições no primeiro turno não altera a possibilidade da comparação ao sistema americano, que já teve em sua história delegados conquistados por candidatos que não eram nem do Partido Democrata, nem do Partido Republicano.
Em 1998, FHC venceu em 24 Estados e viu Lula ficar apenas com Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que garantiriam ao petista 77 votos no Colégio Eleitoral, e Ciro Gomes ser o mais votado somente em seu Estado de origem, o Ceará (22 delegados). O tucano seria reeleito com 414 "grandes votos", o que confirmaria a força de seu primeiro mandato.
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| Fernando Henrique Cardoso teria uma vitória ainda mais folgada em 1994 |
Mais forte ainda neste sistema teria sido a vitória de FHC na primeira eleição na qual o tucano disputou a Presidência, em 1994. Lula, o maior adversário, foi o mais votado no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. Os dois representariam 39 delegados para o petista, deixando o tucano com todos os outros 474.
Nem mesmo a acirrada disputa entre Fernando Collor de Mello e Lula, em 1989, teria um final diferente com o sistema indireto norte-americano, que teria apenas dado a impressão de uma vitória mais tranquila a Collor, mais votado em 23 Estados. O Colégio Eleitoral teria escolhido o candidato do PRN presidente com 403 votos, contra 110 do petista, vencedor apenas no RJ, RS, PE e DF.




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